O meu casamento pelo Registo Civil, Parte 1 – O Processo

por Noiva em Quarentena
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Não há quem o negue. Uma das maiores dores de cabeça dos noivos é a abertura do processo de casamento pelo registo civil.

Pessoalmente, acho que todo este procedimento de casar pelo civil é bastante demoroso e mais cansativo do que deveria realmente ser. Alguns pormenores já deveriam estar mais automatizados, (e já tinha mencionado a minha opinião acerca da automatização de processos no post que fiz na minha página sobre a mudança de nome). Porque na verdade, o que é mais aborrecido não é a abertura do processo de casamento pelo registo civil; o mais aborrecido é a falta de comunicação, resposta e longa espera por parte dos serviços. No entanto, quero mesmo acreditar que estas falhas têm a ver com a fase em que estamos.

Mas agora que já passei por todas estas burocracias, quero contar-vos a minha experiência.

O PROCESSO PRELIMINAR DE CASAMENTO

Eu faço parte do grande leque de casais que adiou o casamento em 2020 devido à pandemia causada pela COVID-19. Então, o meu processo de casamento pelo registo civil foi um bocado mais extenso que o habitual.

Sempre fui uma pessoa bastante organizada acerca das minhas tarefas. E na altura em que fui à conservatória ainda não tinha este blog, nem metade do know-how que veio com ele. Tive que pesquisar (bastante!) para conseguir perceber o que tinha que fazer.

O processo preliminar de casamento civil deve ser iniciado no mínimo 6 meses antes do dia em que se vão casar (portanto no meu caso, seria no início do ano de 2020). Não vos sei dizer se na altura já havia ou não a opção para o inicio desta requisição online. Mas acho que mesmo que já existisse, eu faria exatamente da mesma maneira dirigindo-me presencialmente à conservatória.

A IDA À CONSERVATÓRIA

Fui com o meu marido ao registo civil no final de Janeiro de 2020. Na altura, a conservatória funcionava por ordem de chegada. Então, até conseguirmos ser atendidos tivemos que esperar cerca de 2h. Escolhemos a localidade do serviço mediante a proximidade da quinta porque quando iniciamos este processo, a nossa intenção era que a conservadora se dirigisse lá.

Acho que conseguem perceber se vos disser que sempre quis organizar o meu próprio casamento. E nesta altura estava a viver uma fase ótima. Faltavam 6 meses para me casar (pensava eu), estava tudo a correr calmamente, tinha os deadlines todos programados. Então se eu vos disser que abrir este processo foi o ponto mais baixo da minha organização até então, é porque realmente foi (e acho que conseguem imaginar, não é?) e quero explicar-vos o porquê.

A DESVALORIZAÇÃO DA EMPATIA

Se houve algo que aprendi ao trabalhar com prestação de serviços e atendimento ao público é a importância de haver empatia. Um sorriso nunca deve ser desvalorizado e quem está a atender não deve assumir que as palavras de quem está do outro lado são para atacar.

Neste dia estava bastante nervosa porque casava a 13 de Junho, uma data que sabia que poderia ser difícil haver vaga devido ao feriado. Para quebrar o stress, o Ricardo decidiu brincar com o assunto ao comentar na brincadeira com a funcionária que se não existisse uma vaga naquela data, ele ficaria sem noiva uma vez que me poderia “dar uma coisinha má“. Não posso dizer que a pessoa que nos atendeu tenha sido antipática, mas o que realmente nos chateou foi uma outra funcionária que nem nos estava a atender dizer algo como “Vocês tem que perceber que este contrato não é entre vocês e a quinta, mas sim entre nós (fazendo com que este “nós” se evidenciasse) e vocês, e nós também temos direito a fim-de-semana”.

RESPIRA, EXPIRA E NÃO PIRA

Naquele dia, esta frase caiu-me muito mal e comecei a ficar bastante chateada. Lembro-me que tive que respirar (bastante) fundo para não responder, com medo que por algum motivo me prejudicassem.

Recordo-me do meu pensamento: Então eu estou a pagar por um serviço que por si já não é barato; Pago um extra de 80€ porque quero que a conservadora nos case no nosso espaço; Ainda tenho que pagar o transporte de ida e volta, e vem aqui uma funcionária que nem nos estava a atender e nos julga pela escolha da nossa data porque era um fim-de-semana prolongado?  

Portanto imaginam a fúria que tinha dentro de mim, que só me apetecia ir embora mas sabia que não podia. Respirei mesmo muito para que não começasse a chorar ali mesmo. Notei que senhora que nos estava a atender até ficou desconfortável e tentou continuar com o processo, compensando-nos ao ser minimamente simpática connosco. Para quebrar o ambiente, entregou-nos a folha do processo, que preenchemos com os nossos dados, com o tipo de acordo antenupcial que queríamos assim como com a alteração do nome após o casamento (se assim o desejássemos).

Com tudo preenchido, a funcionária explicou-nos que até um mês antes do casamento teríamos que enviar por email os nomes das testemunhas e felizmente, saímos da conservatória.

O ADIAMENTO DO CASAMENTO

Em Maio de 2020 soube que teria que adiar o meu casamento. Desconhecia por completo que implicações teria relativamente ao processo preliminar de casamento pelo registo civil que tinha iniciado, mas fiz questão de enviar logo email para a conservatória. Até que conseguisse uma resposta da parte deles ainda demorou quase um mês, tentando sempre chegar a um contacto via email ou telefone.

Não me deram uma longa explicação do que deveria fazer mas referiram para voltar a contactar no inicio de 2021 para revalidar o processo (no máximo até um ano depois da data em que o iniciei em 2020) e garantiram-me que não teria que pagar mais nada por isso. Apesar de não ter achado que foi uma explicação extensa, e admito que ao inicio ainda fiquei um pouco desconfiada, acabei por aceitar.

Dias depois desta conversa, recebi um novo email com as “novas normas” e que auxiliou na decisão que eu e o meu marido tomámos depois.

A NOSSA DECISÃO

Basicamente, se o meu casamento continuasse a ser a um domingo e em 2020, não poderia ter uma conservadora presente na data devido a falta de pessoal. Teria que solicitar que uma celebrante de uma outra conservatória se deslocasse ao espaço, o que encareceria o valor já pago. 

Nestes casos, gosto sempre de tomar as decisões ponderadas e pensar no que será melhor (principalmente numa altura tão inconstante como a que estávamos a viver em 2020). Então, decidimos que não queríamos que a cerimónia de casamento fosse uma simples leitura de contrato sem qualquer pingo de sentimento.  Queríamos ter controle sobre as nossas escolhas, mesmo que isso significasse ficar com um dia diferente na nossa certidão de casamento.

Decidimos que a pessoa que nos deveria casar, teria que ser alguém que nos fizesse sentido. Não necessitámos de pensar duas vezes em quem iria celebrar o nosso casamento – seria alguém da nossa família, que sempre esteve perto de nós, ao nosso lado. Que sabia quem nós eramos juntos e em conjunto, e que tinha o maravilhoso dom da palavra. Agora que tudo passou, dou graças por ter escolhido alguém como ele para celebrar a nossa união. Não poderíamos ter realmente decidido por melhor pessoa e a nossa cerimónia foi especial também por isso.

REVALIDAR O PROCESSO

Em Novembro de 2020 demos novamente inicio ao processo preliminar de casamento. Dou graças por termos feito atempadamente, caso contrário não teríamos conseguido marcação na conservatória dias antes de entrarmos novamente em confinamento. Então, no dia 12 de Janeiro estávamos novamente à porta do registo civil para revalidar o nosso processo. Como já era habitual, por mais que tivéssemos marcado um horário, não fomos atendidos à hora esperada.

Foi estranho revalidar este processo em época de pandemia. Só podia entrar uma pessoa e ambos concordamos que iria eu. Primeiramente, e após explicar que gostaríamos de casar na conservatória no dia anterior à data da nossa celebração, pediram-me para assinar um documento de modo a que me devolvessem o valor da deslocação à quinta.

Na verdade, revalidar o processo é demasiado fácil para o fazer presencialmente e talvez por isso é que abriram a hipótese de o fazer por meio digital. Apenas tive que rever um documento com tudo o que tinha escrito o ano passado, assinar e de seguida, chamar o meu marido para ele fazer o mesmo.

O COMPROVATIVO

Caso não se recordem, a 14 de Outubro de 2020 saiu uma lei que referia que durante a época de pandemia, os casamentos marcados a partir desse dia teriam uma lotação máxima de 50 pessoas. No meu caso, e salvo erro, eu poderia ter ou a lotação completa ou 50% do espaço ocupado.

Sempre fui da opinião que devemos ter documentos escritos comprovativos para tudo o que for importante e por isso mesmo, iria tentar que me facultassem uma declaração na conservatória em como o meu casamento estava marcado há um ano, para o caso de ter que apresentar algo posteriormente (felizmente não foi necessário).

A DIFICIL TAREFA DE FALAR EM ÉPOCA DE COVID

Quando falei com a funcionária acerca da questão do comprovativo – e aqui vos digo o quão importante é a empatia que tanto vos falo – notava-se perfeitamente que ela estava sobrecarregada e chateada com as perguntas que as pessoas faziam cada vez que ela ia ao hall de entrada. No entanto, não é motivo para falar menos bem ou de forma agressiva (e infelizmente, em parte foi o que aconteceu).

Essa reação da parte dela fez com que eu ficasse com medo de falar, ansiosa e com a voz trémula. Na verdade, isto também aconteceu devido ao constante julgamento das pessoas. Eu sentia que cada vez que mencionava que me iria casar, alguém me achava irresponsável por pensar sequer no assunto numa fase em que o mundo está a passar por uma pandemia. Infelizmente, na conservatória fiquei perturbada e com várias vozes na minha cabeça a dizerem-me que seguir o sonho de me casar estava errado e sentia vergonha de perguntar sobre o tal documento. No entanto respirei fundo e pensei que vergonha era não lutar por aquilo que queria e deixar-me levar pelas opiniões alheias. E na verdade descobri que o documento que queria há muito que estava em minha casa.

PARA TERMINAR …

Esta foi a minha experiência acerca do processo preliminar de casamento pelo registo civil. Como podem ter percebido, não foi nada fácil e extremamente entediante. Acerca deste procedimento, o que vos aconselho é a marcarem uma ida à conservatória assim que faltarem 6 meses para o vosso dia. Assim, certamente que que irão conseguir arranjar uma data válida para ter todos os documentos a tempo do vosso casamento. Caso iniciem este processo online, não se esqueçam que tem que ter convosco um leitor de cartões de cidadão (podem comprá-lo na Worten, por exemplo).

Também quero garantir-vos que a minha experiência pode não ser semelhante à vossa. Posso assegurar-vos que o que pode ter falhado na minha vivência foi a forma não empática dos funcionários e talvez devido ao desgaste dos em época de pandemia.

Posteriormente e ainda este mês vou partilhar convosco como foi o dia do meu casamento pelo registo civil. Basta aguardarem um bocadinho 🙂

Por agora, quero que partilhem comigo a vossa experiência – o que acharam do processo preliminar de casamento?

Assinatura Noiva em Quarentena

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